PPA: o que é um Acordo de Compra de Energia e que tipos existem no setor das energias renováveis
Um PPA (Power Purchase Agreement) é um contrato de compra e venda de eletricidade, normalmente de médio ou longo prazo, celebrado entre um produtor de energia e um comprador ou offtaker. No setor das energias renováveis, os PPA são utilizados principalmente para estabelecer as condições económicas e operacionais sob as quais será vendida a eletricidade gerada por uma central solar fotovoltaica, um parque eólico ou outra instalação de produção de energia.
O PPA define aspetos essenciais, tais como o preço da eletricidade, a duração do contrato, o volume contratado, o perfil de fornecimento, as responsabilidades das partes e o tratamento de determinados riscos de mercado. Dependendo da sua estrutura, também pode regulamentar a transferência das Garantias de Origem associadas à eletricidade renovável.
Na Europa, os Contratos de Compra de Energia (PPA) tornaram-se uma ferramenta importante tanto para os produtores como para os consumidores empresariais. Para o produtor, um PPA pode proporcionar maior visibilidade sobre as receitas futuras e contribuir para melhorar a viabilidade financeira do projeto. Para o comprador, permite estabelecer uma estratégia de aquisição de eletricidade a longo prazo e reduzir parcialmente a exposição às flutuações do mercado grossista.
É importante salientar que não existe uma única modalidade de PPA. Os contratos podem ser classificados de acordo com a forma de fornecimento da eletricidade, a liquidação financeira, a localização do ativo renovável ou a relação entre produtor e consumidor. Por este motivo, conceitos como PPA físico, PPA virtual, PPA financeiro, PPA onsite e PPA offsite descrevem características diferentes da estrutura contratual e podem ser combinados entre si.
O que é um PPA e como funciona?
Na sua estrutura mais básica, um PPA estabelece uma relação contratual entre duas partes principais: o produtor de eletricidade e o comprador. O produtor compromete-se a vender uma determinada quantidade de energia durante um período estabelecido, enquanto o comprador aceita adquiri-la de acordo com as condições económicas definidas no contrato. A União Europeia define um Power Purchase Agreement como um contrato através do qual uma pessoa singular ou coletiva concorda em comprar eletricidade a um produtor em condições de mercado. No caso específico das energias renováveis, a legislação europeia também reconhece os acordos de compra de eletricidade renovável celebrados diretamente entre produtores e compradores. A definição e o quadro europeu podem ser consultados na Comissão Europeia sobre os Acordos de Compra de Energia.A duração de um PPA depende das necessidades das partes e das características do projeto. Em novas instalações de energias renováveis, são comuns os contratos plurianuais, uma vez que uma maior estabilidade nas receitas pode facilitar o financiamento da construção. Entre os principais elementos que normalmente definem um PPA encontram-se:- Duração: período durante o qual o acordo permanecerá em vigor.
- Preço: metodologia utilizada para determinar o preço da eletricidade.
- Volume: quantidade de energia acordada entre o produtor e o comprador.
- Perfil de fornecimento: define a relação entre a produção real da central e a energia contratada.
- Ponto de entrega: localização física ou comercial onde se considera que a eletricidade foi entregue.
- Garantias de Origem: determinam, quando aplicável, quem recebe os atributos renováveis associados à eletricidade produzida.
- Riscos e responsabilidades: regula situações como indisponibilidade, desvios na produção, alterações regulamentares, força maior ou incumprimento contratual.
Tipos de PPA: físico, virtual, no local, fora do local e de acordo com o perfil de produção
Existem diferentes tipos de PPA (Power Purchase Agreement), mas nem todos se enquadram na mesma classificação. Um PPA pode ser definido consoante a forma como a eletricidade é fornecida ou liquidada, consoante a localização da central renovável, consoante o perfil energético contratado ou consoante a forma como os produtores, compradores e comercializadores intervêm. Por este motivo, termos como PPA físico, PPA virtual, PPA onsite, PPA offsite, PPA «as generated» ou PPA «baseload» não são necessariamente mutuamente exclusivos. Um mesmo contrato pode ser, por exemplo, um PPA físico, offsite, «sleeved» e «baseload», enquanto outro pode ser estruturado como um PPA virtual, offsite e «pay-as-produced».Tipos de PPA consoante o fornecimento e a liquidação da energia
PPA físico (Physical PPA)
Num PPA físico, verifica-se uma entrega física ou comercial de eletricidade do produtor ao comprador. Quando o produtor e o consumidor se encontram em locais diferentes, a energia é transportada através da rede elétrica, sendo necessário gerir aspetos como a programação, o equilíbrio, os desvios e o fornecimento complementar. O comprador adquire a energia renovável de acordo com as condições estabelecidas no contrato, embora isso não signifique que os eletrões gerados por uma determinada central cheguem fisicamente, de forma exclusiva, às suas instalações. A entrega ocorre no âmbito do funcionamento geral do sistema elétrico.PPA virtual ou financeiro (Virtual PPA / Financial PPA)
Um PPA virtual ou PPA financeiro não requer uma entrega física direta de eletricidade entre o produtor e o comprador. A instalação renovável vende normalmente a sua produção ao mercado elétrico e o comprador continua a adquirir a eletricidade que consome através do seu fornecedor habitual. Paralelamente, ambas as partes procedem a uma liquidação financeira baseada, geralmente, na diferença entre um preço do PPA (ou preço de exercício) e um preço de referência do mercado.Tipos de PPA consoante a localização da central
PPA no local
Num PPA no local, a instalação de produção de energia renovável encontra-se nas próprias instalações do consumidor ou está diretamente associada às mesmas. O exemplo mais comum é uma central solar fotovoltaica instalada no telhado, no parque de estacionamento ou nos terrenos de uma fábrica, centro logístico, escritório ou instalação industrial. Um terceiro pode financiar, construir, operar e manter a central, enquanto o consumidor se compromete a adquirir, através do PPA, a eletricidade gerada durante um período determinado. A eletricidade é consumida principalmente no próprio local de produção, reduzindo a quantidade de energia que tem de ser importada da rede.PPA Fora do Local
Num PPA offsite, a central de energia renovável e as instalações do comprador encontram-se em locais diferentes. O consumidor pode contratar, por exemplo, a produção de uma central fotovoltaica ou de um parque eólico situado a centenas de quilómetros dos seus centros de consumo. Um PPA offsite pode ser físico ou financeiro. Se houver um fornecimento comercial de eletricidade através da rede, trata-se de um PPA físico offsite. Se existir apenas uma liquidação financeira ligada à produção da central e a um preço de mercado, pode ser estruturado como um PPA Offsite Virtual.Tipos de PPA de acordo com o perfil de produção apresentado
Outra das classificações mais importantes dos Contratos de Compra de Energia (Power Purchase Agreements) baseia-se no perfil energético que o vendedor se compromete a fornecer. Esta característica determina, em especial, quem assume os riscos associados à variabilidade da produção de energia renovável.PPA «conforme produzido» ou «pagamento conforme a produção»
Num PPA «as generated», também designado por «pay-as-produced», o comprador adquire a produção real gerada pela instalação renovável ou a percentagem de produção estabelecida no contrato. A quantidade de eletricidade fornecida varia, portanto, em função do recurso renovável disponível. Uma central fotovoltaica produzirá mais durante as horas centrais do dia e nada durante a noite, enquanto a produção de um parque eólico dependerá das condições de vento.PPA Baseload
En un PPA baseload, el productor se compromete a entregar una cantidad constante de electricidad durante determinados intervalos, independientemente de la producción instantánea de la planta renovable. Por ejemplo, el contrato puede establecer la entrega de una potencia equivalente de 20 MW durante todas las horas del periodo acordado. Si la planta produce más electricidad en determinadas horas, el excedente puede venderse al mercado. Si produce menos, el vendedor deberá adquirir la energía necesaria para completar el volumen comprometido.Esto significa que, a diferencia del modelo as generated, en un PPA baseload el riesgo asociado a transformar una generación renovable variable en un suministro constante recae principalmente sobre el productor, comercializador o intermediario encargado de realizar el shaping. El PPA baseload ofrece al comprador un perfil de suministro más predecible, pero implica una mayor complejidad y riesgo para la parte responsable de garantizar la entrega.PPA moldado ou PPA perfilado
Um PPA Shaped representa uma evolução do modelo de volume fixo. Em vez de fornecer exatamente a mesma quantidade de eletricidade durante todas as horas, é previamente definido um perfil de fornecimento que se adapta melhor às características do consumo do comprador. Por exemplo, um contrato pode prever um maior fornecimento durante o horário de trabalho e uma quantidade inferior durante a noite ou aos fins de semana.PPA com pagamento em função do consumo
Num PPA do tipo «Pay-as-Consumed», o volume fornecido adapta-se ao consumo real do comprador ou a uma percentagem previamente estabelecida da sua procura. Em vez de receber toda a produção de uma instalação renovável, o comprador recebe um volume que acompanha o seu próprio perfil de consumo. Esta estrutura pode revelar-se especialmente atrativa para consumidores que pretendem reduzir o risco de comprar mais ou menos eletricidade do que aquela de que realmente necessitam.Outras estruturas de PPA
Sleeved PPA
O Sleeved PPA é uma estrutura física em que uma comercializadora ou fornecedor de energia atua como intermediário entre a central de energia renovável e o comprador. O chamado sleeving pode incluir serviços como representação no mercado, equilíbrio, gestão de desvios, fornecimento de energia complementar, faturação e adaptação do perfil de produção ao consumo do cliente. Este modelo revela-se especialmente útil em PPA offsite, pois permite transformar a produção variável de uma central renovável num produto energético mais fácil de consumir por parte de uma empresa.Corporate PPA
Um PPA corporativo é um Acordo de Compra de Energia (Power Purchase Agreement) em que o comprador ou offtaker é uma empresa que adquire eletricidade para cobrir total ou parcialmente as suas necessidades energéticas. O termo «Corporate PPA» não determina a forma como a eletricidade é fornecida. Pode existir um Corporate PPA no local, fora do local, físico, virtual, «as generated», de carga de base ou «shaped». Por isso, deve ser entendido como uma classificação relacionada principalmente com a identidade e a finalidade do comprador.Multi-buyer PPA ou PPA agregado
Num PPA multi-comprador, vários consumidores participam em conjunto na contratação da produção de uma instalação renovável. A agregação da procura permite distribuir o volume contratado entre diferentes compradores e pode facilitar o acesso aos PPA a empresas que, individualmente, não têm um consumo suficiente para justificar um contrato de grande dimensão. Este tipo de estruturas está a ganhar importância na Europa como mecanismo para alargar o acesso das pequenas e médias empresas a contratos de eletricidade renovável a longo prazo.Cross-border PPA
Um PPA transfronteiriço estabelece uma relação contratual entre um produtor e um comprador situados em países ou zonas de mercado diferentes. Estas operações apresentam uma maior complexidade, uma vez que têm de ter em conta aspetos como as diferenças entre preços zonais, a capacidade de interligação, a regulamentação nacional, as Garantias de Origem e os riscos de base entre os diferentes mercados de eletricidade. Os PPA transfronteiriços permitem, no entanto, que os grandes consumidores contratem energia renovável localizada fora do mercado em que as suas instalações se encontram fisicamente.Resumo dos principais tipos de PPA
| Classificação | Tipos de PPA | Característica principal |
|---|---|---|
| Entrega / liquidação | PPA físico | Existe uma entrega física ou comercial de eletricidade. |
| PPA virtual / financeiro | Existe, essencialmente, uma liquidação económica em relação a um preço de referência. | |
| Localização | PPA onsite | A produção ocorre nas instalações do consumidor. |
| PPA offsite | A produção e o consumo ocorrem em locais diferentes. | |
| Perfil de entrega | As Generated / Pay-as-Produced | O comprador recebe a produção efetiva da instalação. |
| Baseload | É fornecido um volume constante durante os períodos acordados. | |
| Shaped | É fornecido um perfil previamente definido, adaptado a determinados padrões de consumo. | |
| Pay-as-Consumed | A entrega adapta-se ao perfil real de consumo do comprador. | |
| Estrutura contratual | Sleeved PPA | Um fornecedor ou distribuidor faz a intermediação e gere a entrega. |
| Corporate PPA | Contrato de compra e venda de eletricidade a longo prazo (de 3 a 20 anos) celebrado diretamente entre uma empresa consumidora e um produtor de energia renovável. | |
| Multi-buyer PPA | Vários compradores partilham a produção contratada. | |
| Cross-border PPA | O produtor e o comprador encontram-se em mercados ou países diferentes. |

Diferenças entre PPA físico, virtual, no local e fora do local
A forma mais simples de compreender os diferentes tipos de PPA é distinguir duas questões: como é que a eletricidade é fornecida ou liquidada? e onde se situa a central de energia renovável? Um PPA físico e um PPA no local não são sinónimos. Um PPA físico pode ser no local ou fora do local. Da mesma forma, um PPA fora do local pode ser estruturado como um contrato físico ou como um PPA virtual.| Tipos de PPA | Característica principal | Entrega física | Localização |
|---|---|---|---|
| PPA físico | Existe uma entrega física ou comercial de eletricidade ao comprador. | Sim | No local ou fora do local |
| PPA virtual / financeiro | A relação principal consiste numa liquidação financeira com base num preço de referência. | Não, diretamente | Normalmente fora do local |
| PPA onsite | A instalação encontra-se nas instalações ou no local do consumidor. | Normalmente, sim | No ponto de consumo |
| PPA offsite | A fábrica está localizada num local diferente do do consumidor. | Pode ser física ou financeira | Fora do ponto de consumo |
Como é que se define o preço de um PPA?
O preço constitui um dos elementos fundamentais de qualquer PPA. No entanto, nem todos os Power Purchase Agreements utilizam uma tarifa fixa durante toda a sua vigência. As partes podem recorrer a diferentes estruturas, dependendo das suas expectativas em relação ao mercado e da repartição de riscos que pretendem assumir.- Preço fixo: é estabelecido um preço específico por MWh durante toda a vigência do contrato ou parte dela, proporcionando uma elevada previsibilidade quanto às receitas e aos custos associados.
- Preço indexado: o preço do PPA está total ou parcialmente indexado a um índice de referência de mercado e pode incluir descontos, prémios ou outros ajustamentos.
- Floor: é estabelecido um preço mínimo abaixo do qual a remuneração do produtor não pode descer.
- Cap: estabelece um preço máximo, limitando a exposição do comprador a aumentos elevados do mercado.
- Intervalo: combina um preço mínimo e um preço máximo, dentro dos quais a remuneração pode variar.
Que riscos deve um contrato PPA regulamentar?
Um Acordo de Compra de Energia (PPA) é um contrato complexo, uma vez que distribui, entre o produtor e o comprador, riscos que podem manter-se durante muitos anos. Uma correta estruturação do PPA deve definir com precisão quem assume cada um desses riscos. Entre os principais elementos que costumam ser analisados encontram-se:- Risco de preço: a possibilidade de o preço de mercado evoluir de forma diferente das previsões utilizadas para negociar o contrato.
- Risco de volume: diferença entre a energia esperada e a eletricidade efetivamente produzida pela instalação.
- Risco de perfil: ocorre quando os momentos em que a eletricidade é produzida não coincidem com os períodos em que o comprador precisa de a consumir.
- Risco de desvios: diferenças entre a produção programada e a produção real que devem ser geridas no âmbito do mercado da eletricidade.
- Risco de contraparte: possibilidade de o produtor ou o comprador não conseguirem cumprir as suas obrigações contratuais.
- Risco de redução da produção: possibilidade de a central ter de reduzir a sua produção devido a restrições da rede ou a outras circunstâncias regulamentares ou operacionais.
- Alteração regulamentar: alterações legais ou regulamentares que podem afetar as condições económicas do projeto.
- Força maior: define a forma como são geridos os acontecimentos extraordinários que impedem temporariamente o cumprimento das obrigações contratuais.